necessidades
É comum projetarmos um produto tendo como ponto de partida o usuário.
Nada mais óbvio, já que será ele o consumidor de tal produto.
Porém, é necessário saber do que este usuário realmente precisa e o que é excessivo. Precisamos mesmo de mais cadeiras? Será que o ambiente onde tal usuário está inserido é conivente para mais um produto ser projetado?
Contrariando aos pensamentos: sim, sempre haverá espaço para mais um produto. Porém, devemos considerar suas relações para com o usuário e para com os outros objetos. Relações afetivas, financeiras, sociais e históricas deverão ser sempre abordadas de um modo analítico, sempre afim de se obter novas relações e novos comportamentos. Por conseguinte, novas necessidades.
O humano, a cada geração que passa, insere uma nova necessidade em seu meio de sobrevivência. E para cada pessoa dessa geração, dever-se-á inserir pelo menos mais uma centena de necessidades incontestáveis à sua sobrevivência.
Pensar em um produto a partir de uma necessidade não tão necessária assim é bastante fácil. Agora, realmente parar para pensar na necessidade humana e o que ele realmente precisa para sobreviver é trabalhoso e necessário.
Necessitamos de menos necessidades.
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3 Comentarios »
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Entendo o q diz qdo fala de necessidades exageradas na nossa sociedade. Realmente temos q assumir q muitas vezes nos tornamos escravos de certas conveniências nem sempre tão úteis para nossa vida.
Mas a questão principal para mim não é a criação, e sim a produção. Infelizmente ainda temos resquícios da produção fordista, o q faz com que hajam gastos excessivos. Por exemplo, a cadeira, como vc citou: criar diferentes formas e usar diversos materiais, é valido, pq somos seres humanos com características próprias e particulares. Então eu posso gostar de uma cadeira com características do art nouveau e vc de uma cadeira do movimento the stijl; nossos estilos mudam, então os tipos de produtos q vamos preferir comprar tbm mudam. Porém, o problema e termos 100 produtos diferentes, simplesmente com formatos diferentes, inovando somente a forma. Essa característica existir para diferenciar as marcas, tudo bem, aceitável; mas as vezes uma única empresa faz um mesmo objeto com a mesma função só com uma cara diferente. Isso serve para iludibriar o consumidor e desperdiçar matéria-prima, que acaba gerando tbm mais sucata, afetando mais ainda o meio ambiente.
Oras, porquê então manter esse sistema falho de produção? Por causa do lucro, a resposta é obvia. E isso é uma das coisas q ocasionou essa atual crise e esse desequilíbrio ecológico: produzir demais.
Se um produto sofre um face lift, que parem de produzir então modelos antigos, substituindo aos poucos com os novos. Se quiserem continuar vendendo o produto antigo, atendam por pedidos. Se vendem 100 produtos por mês, produzam somente o necessário para vender com um excedente mínimo como meta para novos compradores, ou ate produzam por encomenda. Uma produção sustentável geraria menos necessidade, menos gastos e menos desperdício.
Criar é necessário, mas produzir é evitável. Uma produção consciente, gera um maior lucro para a empresa do que sair gerando produtos de mesma função com simples formas diferentes.
A ênfase no meu texto, além da parte do seu comentário, é também pensarmos nas relações dos objetos para com as pessoas e com os próprios objetos. Estas relações podem nos dizer sobre certas necessidades que nenhum designer possa ter pensado, por isso eu digo que projetar a partir de uma necesidade “não tão necessária” assim é fácil. É supérfluo. E é isso que temos de evitar. Aí sim o consumismo pode obter um novo significado.
Eu lembro de um texto que eu li – postarei aqui qualquer dia – sobre um filósofo alemão tratando o tema objeto/obstáculo. É exatamente isto o meu ponto de partida e o cerne: vamos projetar um objeto útil ou mais um obstáculo para a sociedade?
Bem, fora isso, acho q vc esta correto sim, o meu comentário só foi um acréscimo alias. Criar só para ser um objeto belo, com estética bonita, só e válido se ele realmente for funcional. A velha questão da forma e função. As diversas estéticas dos itens não podem discutir ou negar o q fazem. Ou seja, não adianta fazer um produto com o intuito de suprir um capricho de design e o mesmo não servir para “nada”; acho q esse é o ponto q vc, Alexandre, quer chegar. O q eu acrescentei é justamente q não é so isso q está envolvido; esses “caprichos” acabam tendo danos maiores, como o impacto econômico e ecológico, como citei no meu 1º comentário.